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Enfermagem - Artigos
Qua, 15 de Outubro de 2008 19:44

Este estudo visou conhecer as formas e estratégias desenvolvidas ao longo do tempo para o cuidado com recém-nascido em UTI Neonatal. O ato de tocar é um comportamento que pode conter alguns elementos fundamentais para o desenvolvimento do ser humano, principalmente os bebês, desde a vida intra-uterina, proporcionando bem estar físico, emocional e social1. Assim, acredita-se que o cuidado a ser implementado na Unidade de Terapia Intensivo Neonatal necessita ser exercida e vivenciada em sua totalidade, na tentativa de reduzir manuseios excessivos que possam comprometer o bem-estar do bebê, provocando nele manifestações de estresse, dor, alterações fisiológicas e comportamentais.

Este estudo utilizou-se de um levantamento bibliográfico, coletados através de livros, artigos de revistas e fontes eletrônicas, analisados com uma abordagem qualitativa, objetivando também refletir acerca da importância das práticas assistenciais desenvolvidas para o cuidado com o neonato.

ABSTRACT
This study aimed to know the ways and strategies developed over time to the care of newborns in the neonatal ICU. The touch is a behavior that may contain some key elements for the development of human beings, especially babies, since the intra-uterine life, providing welfare physical, emotional and social. Thus, it is believed that the care being implemented in the Neonatal Intensive Care Unit needs to be exercised and experienced in its entirety, in an attempt to reduce excessive handling that could endanger the welfare of the baby, causing him manifestations of stress, pain, physiological and behavioral changes. This study was used for a reference survey, collected through books, articles in journals and electronic sources, tested with a qualitative approach, to also reflect on the importance of care practices developed for the care of the newborn.

Key-Words: Care, Neonatal, Humanization.

INDRODUÇÃO

A evolução do conhecimento no campo da neonatologia e os avanços tecnológicos deles decorrentes permitem, hoje, a sobrevivência de prematuros extremos e de recém-nascidos a termo gravemente doentes, porém consolidaram uma cultura que privilegia muitas vezes, e exclusivamente, a manutenção da vida.
Os conhecimentos de fisiologia respiratória e circulatória, a monitorização contínua dos sinais vitais e a possibilidade de assistência ventilatória foram eventos que permitiram grandes avanços no tratamento dos neonatos e trouxeram como resultado o decréscimo da mortalidade. Como conseqüência desses avanços, transformações profundas ocorreram no ambiente e nos cuidados prestados aos bebês. O uso de muitos aparelhos, com o som dos seus alarmes e motores tornou o ambiente muito ruidoso. O desenvolvimento de técnicas e aparelhos aumentou a necessidade de manipulação, gerando um número muito maior de pessoal dentro das unidades. Como as crianças e os aparelhos precisavam ser visualizados pela equipe, o ambiente dividido foi transformado em um salão único, fortemente iluminado durante todo o tempo. Em oposição ao mínimo manuseio, as intervenções médicas e de Enfermagem passaram a ser constantes (GORDON, 1978; LAMY,1995).

CUIDADO HUMANIZADO: UMA ABORDAGEM PARA ALÍVIO DO ESTRESSE AO RN PREMATURO


O ambiente de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) proporciona um espaço bem diferente do mundo intra-uterino. O útero materno é o ideal para o crescimento e o desenvolvimento fetal, permitindo ao feto repouso e sono profundo, que colaboram para o seu crescimento. Os prematuros possuem uma habilidade limitada de adaptação da vida extra-uterina; o estresse produzido pelo ambiente e procedimentos contribui para que o prematuro tenha instabilidade fisiológica, como apnéia, bradicardia, diminuição da PO2, aumento das demandas calóricas, tornando difícil para os prematuros ganharem peso, interrompendo o crescimento e desenvolvimento.


Na UTIN, a equipe de saúde necessita utilizar os equipamentos de alta complexidade aliados a outros instrumentos de trabalho como a experiência, a compreensão do cuidado que presta, a sensibilidade e o relacionamento interpessoal terapêutico, a fim de prover um cuidado seguro, responsável e ético em uma realidade vivencial na qual se depara, freqüentemente, com a instabilidade do estado clínico do bebê e com a ansiedade da família.


A forma de organizar o processo de trabalho centralizado em normas e rotinas, com horários rígidos, pouco favorece o cuidado integral/humanizado. A busca pela humanização da assistência em UTINs impõe a organização do trabalho de forma a permitir uma assistência voltada para as necessidades individualizadas dos bebês, na qual os cuidados não venham a causar danos na vida futura dessas crianças. Assim é que diversos autores têm recomendado intervenções para minimizar as fontes de superestimulação e favorecer a adaptação do prematuro ao meio ambiente (SCOCHI, 2000).  


    A valorização humana, a realização do cuidado individualizado e a ética pós-moderna do trabalho estão sendo reavaliadas. O trabalhador da saúde tem respostas a dar sobre o valor de seu trabalho, não somente pela remuneração, mas por um saber-poder socialmente edificado e por subjetividades que percebem, imaginam, simbolizam e criam através de posturas e atitudes reais, uma condição de cuidar, sendo o paciente percebido como um ser merecedor de respeito e consideração (RAMOS, et. al., 1999).
Cuidar não é somente assistir, que tem um sentido confinado ao ato de olhar, de ver, de expectar, muitas vezes sem perceber, sem entender porque não interpretou o que assistiu, o que viu. A UTIN, por ser um local em que há concentração de pacientes graves e situações de contínuas emergências, contribui para comportamentos automatizados, nos quais o diálogo e a reflexão crítica não encontram espaço, tornando o cuidado mecanizado, desprovido de sentimento, dotado apenas de um caráter de "exercício de" fazer uma assistência. Mais um saber-fazer que se objetiva numa ação e não numa atitude, que incorpora a idéia de comportamento.


É inquestionável que a atuação da recuperação física do bebê na UTIN é prioridade, mas existe a consciência da necessidade de se utilizar meios para combater o estresse em todo o seu contexto. Sabemos que o estresse é a resposta não especifica do corpo a uma demanda, desencadeia reações que inicialmente podem ser benéficas, mas se persistirem, serão responsáveis por aumento da morbidade e mortalidade dos pacientes. Por estas razões, medidas devem ser adotadas, de acordo com a realidade e possibilidade de cada UTIN, para diminuir os efeitos negativos e ou problemas psicoemocionais, comportamentais, motores, desencadeados pela doença e ou permanência na UTIN.


É importante entender que para o cuidado humanizado ser efetivo é necessário ocorrer à melhoria do relacionamento entre a equipe do hospital de maneira geral e seu usuário, e que isto não depende exclusivamente de técnicas, mas, sobretudo de uma política de ação na qual não se omita o esforço da humanização de seus serviços, posto que a humanização é a característica fundamental de uma administração eficaz. A humanização não resulta apenas da aplicação de recursos materiais, mas essencialmente da mudança de atitudes dos recursos humanos envolvidos no processo. Daí a importância de que o trabalho possa abranger todos os níveis de responsabilidades, ou seja, a equipe técnica, os próprios pacientes e seus familiares.


Surge um paradigma: o cuidado não pode ocorrer a qualquer hora, de acordo com as necessidades da equipe de saúde. Há um interesse cada vez maior em compreender o bebê, avaliando e adequando os procedimentos de cuidado, sendo um dos passos do cuidado humanizado a observação das respostas comportamentais e fisiológicas do bebê ao manuseio. Devem ser observados pela equipe de enfermagem os sinais emitidos por ele como choro, mímicas de desagrado, mudanças de coloração da pele, e planejar e executar ações de consolo, promovendo segurança, favorecendo a organização motora e sensorial, visando diminuir danos à sua recuperação. O entendimento, pela equipe de enfermagem, da concepção do ser humano na sua totalidade favorece a determinação do cuidado integral.


É fundamental que todos os profissionais conheçam as formas de manejo da dor dos recém-nascidos e saibam utilizá-las. Dentre elas existem medidas não-farmacológicas que têm como objetivo prevenir ou atenuar os processos dolorosos leves consistem na redução dos estímulos provenientes do ambiente e do manuseio; no favorecimento da organização fisiológica e comportamental; na adequação dos procedimentos técnicos e no uso da sucção não-nutritiva.
A sucção não-nutritiva (dedo enluvado ou chupeta) inibe a hiperatividade e modula a dor e o desconforto dos recém-nascidos. Para se obterem esses efeitos a sucção deve ser mantida num ritmo de trinta sucções por minuto, podendo ocorrer efeito rebote em sua interrupção. É indicada na punção venosa e do calcâneo, e sua ação pode ser potencializada pela associação com soluções glicosadas (GUINSBURG e BALDA, 2003).


Portanto humanizar este ambiente implica sensibilizar pessoas ao envolvimento, à flexibilidade e à singularidade a olhar as situações de enfermagem, buscando uma relação harmônica na qual o profissional e o RN possam juntos estimular e serem estimulados na busca do bem-estar e de estar melhor. A observação dos sinais emitidos pelo RN é essencial, uma vez que a falta de respostas comportamentais e choro não é, necessariamente, indicativo de falta de dor. As instituições de saúde devem desenvolver e implementar cuidados de prevenção à dor e ao estresse do RN, utilizando-se, entretanto, de programas educacionais que sensibilizem os profissionais quanto à utilização de estratégias e individualizando o cuidado (AMERICAN ACADEMY, 2000).


Deste modo, momentos de reflexão acerca do processo de trabalho no cotidiano são fundamentais a fim de se rever às práticas a humanização do cuidado aparece relacionada a atitudes de dar atenção ter responsabilidade, cuidar bem, respeitando as particularidades de cada um e principalmente promovendo uma assistência integral ao bebê e família.
Assim, acredita-se que o cuidado a ser implementado na UTIN necessita ser exercido e vivenciado em sua totalidade, na tentativa de reduzir manuseios excessivos que possam comprometer o bem-estar do bebê, provocando nele manifestações de estresse, dor, alterações fisiológicas e comportamentais.


Por fim, a humanização da assistência na UTIN deve ser pauta no cuidado singular, na integralidade e respeito à vida. É dependente do encontro envolvendo o cuidador e ser cuidado. A construção da “integralidade não deve ser transformada em um conceito, mais sim numa prática do cuidado que trata da valorização da vida, do respeito ao outro e das diferenças entre os seres humanos”.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS (committee on fetus and newborn, committee on drugs, section on anesthesiology, section on surgery): Canadian Pediatric Society(fetus and newborn committee). Prevention and management of pain and stress in the neonate. Pediatrcs, 2000.

GORDON, H. H. Perspectivas em neonatologia. In: AVERY, G. B. Neonatologia: fisiologia e tratamento do recém-nascido. Rio de Janeiro: Medsi, 1978.

GUINSBURG, R; BALDA, R. Dor em neonatologia. In: TEIXEIRA, M. J. Dor: contexto interdisciplinar. 1ª ed. Curitiba: Editora Maio, 2003.

LAMY, Z. C. Estudo das situações vivenciadas por pais de recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva neonatal. Dissertação (Mestrado em Saúde da Criança) – Instituto Fernandes Figueira/Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro:1995.

NETO, Armando Correa de Siqueira. A importância do ato de tocar. http://www.psicologia.org.br/internacional/ Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. acessado dia 13/10/2008 às 11:40.

RAMOS FRS. Quem produz e a quem o trabalho produz? In: Leopardi MT, Capella BB, Faria EM, Pires DEP, Kirchoff AL, Ramos FRS, et al. O processo de trabalho em saúde: organização e subjetividade. Florianópolis(SC): Papa Livro; 1999.

SCOCHI CGS. A humanização da assistência hospitalar ao bebê prematuro: bases teóricas para o cuidado de enfermagem. [tese]. Ribeirão Preto (SP): Universidade de São Paulo; 2000.


* Ruth Pereira Vieira é Enfermeira.
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Última atualização em Qua, 29 de Abril de 2009 19:04