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ICBP - Publicações
Ter, 21 de Julho de 2009 16:06

Diretrizes ICBP-1018 Diretrizes para Cursos de DEA Desfibrilador Externo Automático e Suporte Básico à Vida.

Até esta publicação, o único documento nacional neste tema, suprindo uma importante necessidade.

O objetivo é oferecer parâmetros, e requisitos mínimos para Cursos de Suporte Básico à Vida e DEA - Desfibrilador Externo Automático, especialmente quanto a capacitação por prática e exercícios, onde constatamos situações inaceitáveis. Esperamos que sirva como orientação para entidades que ministrem cursos, como critérios para escolha por alunos e empresas contratantes de treinamento, e como critério para licitações.

Diretrizes ICBP-1018 Diretrizes para Cursos de DEA e Suporte Básico à Vida.


1ª Edição
Julho -2009

ICBP
Instituto Brasileiro de Pesquisas
Prof. Ivan Campos

 

Prefácio:

O ICBP-Instituto Brasileiro de Pesquisas Prof. Ivan Campos, é uma entidade independente, de utilidade pública, sem fins lucrativos, de pesquisa e informação, para estudantes profissionais e voluntários nas áreas de Saúde, Segurança no Trabalho, Bombeiros e equipes de apoio e emergência, atuando em todo território nacional.
As Diretrizes e publicações ICBP são de acesso público, gratuitas e de uso livre.

Introdução:

Hoje não se fala em ressuscitação, que é o socorro na parada cardíaca, sem falar também em DEA, pois um complementa o outro, e um sem o outro tem poucas chances de sucesso, o DEA Desfibrilador Externo Automático, na verdade semi-automático, é um equipamento seguro, e pode ser operado por qualquer pessoa que tenha treinamento, independentemente de formação, profissão ou área de atuação.
A cada dia mais leis exigem a aquisição e disponibilidade do equipamento bem como treinamento de pessoal em uso do DEA, mas até esta publicação, não existiam informações de acesso público sobre como capacitar pessoas no uso deste equipamento, o que prevalecia eram os cursos de franquias internacionais que oficiosamente se projetavam como único curso válido.
Hoje existem no mercado estas franquias, escolas da área da saúde, empresas especializadas, hospitais e até profissionais autônomos, infelizmente por ser um “curso livre” não há registros ou órgãos que os fiscalizem.
Algumas leis municipais sobre DEA foram publicadas sem referências necessárias ou com referenciais impraticáveis como critério para entidades que ministrassem o treinamento, como por exemplo o registro da entidade junto ao CNR Conselho Nacional de Ressuscitação, um erro replicado do primeiro texto da pioneira lei paulistana de 2004 que foi revogada na primeira revisão da lei, infelizmente costuma ser consultado o texto original (invalido) sem as atualizações. Por outro lado empresas contratantes não encontravam parâmetros e orientações a seguir, pretendemos com esta publicação suprir essa necessidade.

Objetivo:

O objetivo é oferecer parâmetros, e requisitos mínimos para Cursos de Suporte Básico à Vida e DEA, especialmente quanto a capacitação por prática e exercícios, onde constatamos situações inaceitáveis. Esperamos que sirva como orientação para entidades que ministrem cursos, como critérios para escolha por alunos e empresas contratantes de treinamento, e como critério para licitações.
Recomendamos que em textos na redação de Leis sobre DEA tenham incluso itens requerendo que os treinamento e implantação atendam estas Diretrizes.
“ICBP-1017 Implantação, manutenção e acesso ao DEA”.
“ICBP-1018 Requisitos para cursos de Suporte Básico à Vida e DEA”.
“ICBP-1019 Sinalização universal para DEA”.

Referências:

Publicações internacionais: ILCOR- Comitê Internacional para Consenso de Ressuscitação, Guide Lines 2005, artigos AHA e ERC e suas atualizações, e manuais técnicos das principais marcas de DEA.
Publicações nacionais: Leis e Decretos “atualizados” referentes a DEA, Primeiros Socorros e APH, Normas Técnicas ABNT e Diretrizes, protocolos e artigos ICBP.

Informações da publicação:

1ª edição de 20 de julho de 2009, elaborada de setembro de 2008 a julho 2009, valida até próxima edição. Esteve em consulta nacional por 30 dias, de 15 de junho a 15 de julho de 2009, com acesso público no site www.icbp.com.br. Opiniões, e sugestões para próxima edição podem ser enviadas para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Abreviações e termos:

  • AHA/ERC – Entidades internacionais de referencia que publicam artigos e Diretrizes de uso mundial, respectivamente American Heart Association, Associação Americana do Coração, e European Resuscitation Council, Comitê Europeu de Ressuscitação. No Brasil podemos encontrar publicações como artigos, diretrizes e protocolos destas entidades, traduzidas para português do Brasil, no site do ICBP icbp.com.br
  • DEA – Desfibrilador Externo Automático, equipamento usado durante socorro em parada cardíaca, em conjunto com manobras de compressão torácica, este aparelho dispara um choque que elimina a fibrilação. em geral é “semi-automático” necessitando da ação do operador para disparar o choque.
  • Dispositivo de Barreira – nesse contexto é um acessório que evita o contato boca a boca entre a pessoa que presta o socorro e a vítima, o mais simples é uma folha de plástico flexível com um filtro permeável ao centro por onde passa o ar, existem vários dispositivos com válvulas anti refluxo e outras características.
  • Eletrodos – neste contexto é a parte adesiva, conhecidos como pás, composto por um cabo em geral de dois fios, que em uma extremidade tem um conector para ser conectado ao DEA e nas outras extremidades tem placas flexíveis adesivas de tamanho um pouco mair que um CD, e funciona como meio do DEA analisar o ritmo cardíaco da vítima e também como caminho para o choque caso indicado, o conjunto é descartável um por vítima.
  • PCR – Parada Cardiorrespiratória, situação em que o coração perde sua capacidade de bombear o sangue efetivamente, é uma emergência fatal se não for revertida de imediato.
  • RCP – Ressuscitação Cardiopulmonar, manobras de socorro em PCR, consistem de ventilação artificial (respiração boca a boca e similares) e de compressão do tórax (massagem cardíaca).
  • Suporte Avançado – Termo internacional, usado para definir equipe da área de saúde formada médico e enfermagem, especializados em emergências que exigem procedimentos avançados, nesse contexto ou é o serviço médico hospitalar de pronto socorros, aonde é levada a vítima, ou é a equipe de APH (Atendimento Pŕe Hospitalar) indo até a vítima, que será removida ao serviço médico hospitalar.
  • Suporte Básico à Vida – Termo internacional para cursos e procedimentos de socorro em emergências fatais, em especial engasgo e afogamento, PCR (parada cardiorrespiratória), AVC - Acidente Vascular Cerebral (derrame) e controle de grandes hemorragias. Um resumo deste curso focado em PRC e RCP é o curso DEA.
  • Via aérea avançada - nesse contexto, e no Brasil, define procedimento feito por profissional médico no APH ou no serviço hospitalar, é colocado cânula ou outro dispositivo no trajeto do ar pela boca, nariz, ou mesmo traqueia, para os pulmões, deste dispositivo é adaptado ventilador tipo mecânico ou manual, o mais comum destes é a EOT Entubação oro traqueal.
  • Vítima – pessoa que esteja sofrendo um colapso, neste contexto uma parada cardiorrespiratória.

Índice:

02 Prefácio
02 Introdução
02 Objetivo
02 Referências
03 Informações da publicação
03 Abreviações e termos
03 Índice
04 1 – Disposições gerais.
04 2 - Currículo mínimo teórico.
05 3 – Prática mínima exigida.
05 4 – Avaliação e certificação.

ICBP 1018 Diretrizes para Cursos de Suporte Básico à Vida e DEA.

1.0 Disposições gerais:

1.1 - Os cursos de Suporte á Vida e DEA, podem ser promovidos por corpo técnico próprio, ou empresa de treinamento contratada, desde que os instrutores, tenham capacitação para tal, o conteúdo oferecido seja atualizado e esteja de acordo com Leis e Decretos e demais dispositivos legais do Brasil, e publicações oficiais nas versões atuais, atenda os padrões internacionais AHA/ERC e esta Diretriz.
Os responsáveis pela capacitação e treinamento, equipe própria ou contratada, devem possuir manequins para prática de RCP e aparelho simulador DEA de treinamento para prática.
1.2 - Todo curso de Suporte Básico à Vida ou DEA, não pode ser apenas informativo, é preciso desenvolver a capacitação do aluno através de prática, incluindo treino e exercícios em manequins e aparelho simulador DEA de treinamento, preferencialmente semelhante ao DEA de uso local.
1.3 – A apresentações de slides, impressos, áudios e vídeos de teoria em curso presencial ou a distância, não eliminam a necessidade de treino prático e simulação com a avaliação presencial do instrutor.
1.4 - Qualquer prática ou treino de RCP nunca devem ser realizados em uma pessoa, principalmente as manobras ventilação e compressão de tórax.
O treinamento de RCP deve obrigatoriamente acontecer em manequins, preferindo o uso de dispositivo de barreira para ventilação individuais a cada aluno.
1.5 - O responsável pelo treinamento deve documentar o curso, no mínimo em ata com nome e documentação do responsável técnico e do instrutor do curso, descritivo do curso, plano de aula, lista de presença assinada pelos participantes, provas respondidas, resultado de avaliações teóricas e práticas, e cópia dos certificados entregues. Estes documentos devem ser datados e arquivados por período mínimo de 5 anos.
É recomendado que seja feito um registro fotográfico durante o curso.

2.0 Currículo mínimo teórico

2.1 - O currículo mínimo do curso deve conter informações básicas sobre:
Leis referentes a DEA e Primeiros Socorros, Biossegurança, Anatomia e fisiologia, mecanismos de asfixia, obstrução e desobstrução de vias aéreas, prevenção e socorro em ataque e parada cardíaca, Fibrilação e desfibrilação, detalhes das técnicas atuais de RCP e uso do DEA, com atenção à segurança.
Especificações do DEA local, autonomia, sistema de gravação, verificação do nível e validade de bateria e eletrodos, auto teste e teste manual, soluções para problemas comuns, troca ou recarga de bateria e eletrodos, diferença dos sistemas adulto e infantil, prevenção de acidentes, indicações e restrições de uso, manuseio e cuidados.
Mencionar o conteúdo desta Diretriz e das diretrizes ICBP- 1017 Implantação e acesso ao DEA, e ICBP-1019 Sinalização universal de DEA.
Sistema local e sistema público de atendimento a emergência, números de telefone de emergência.
2.2 Deve haver diferenciação de níveis de profundidade do conteúdo conforme o público do curso, de forma mais técnica para pessoal de saúde e emergência e de forma mais acessível e prática para público em geral, e personalização do curso conforme a realidade e condições do local, e região da empresa contratante.
Para pessoal de serviços básicos de APH, o curso deve prever atendimento básico direcionado a continuação pelo suporte avançado, incluindo explicação resumida de como será a continuidade deste atendimento.
2.3 - O curso deve informar aos participantes os pontos de acesso ao DEA, o plano de atendimento de emergência, e todo fluxo de atendimento, desde a constatação da emergência, seu atendimento, até a chegada do Suporte Avançado, ou encaminhamento da vítima ao Serviço Médico Hospitalar.
2.4 - O programa de acesso ao DEA da empresa deve atender a ICBP-1017 Implantação e acesso ao DEA.
2.5 – O material didático, apostilas e outros oferecidos ao aluno, quando forem produzidos pela própria empresa de treinamento, devem conter a “referência” da fonte e o nome da publicação de origem, conter ainda o nome do responsável técnico que elaborou o material.
Caso sejam usados manuais ou livros publicados, referir título, autor, edição e editora.

3.0 Prática mínima exigida:

3.1 O mínimo de prática exigida a cada participante no exercício de RCP, são pelo menos uma sequencia de 5 ciclos de 30x2, e manipular o simulador DEA pelo menos uma vez, entendemos ligar e instalar o equipamento, acompanhar a analise e disparar o choque.
3.2 A prática será satisfatória quando o aluno conseguir demonstrar compressões eficazes efetuadas na posição adequada, com qualidade no ritmo, profundidade da compressão e descompressão.
3.3 – O uso de áudio com ritmo equivalente adequado, até esta edição de 100 vezes por minuto, é altamente recomendado, como a batida ou beep de um metrônomo, ou música neste ritmo.

3.4 – Para prática de ventilação, deve ser usado dispositivo de barreira individual, enfatizar ventilação fisiológica, sem pressão brusca, de forma suave e em pouco volume, cessando ao menor movimento torácico, considerando 1 segundo pra inflar (enviar o ar) e 1 segundo para deixar o ar sair. O mesmo se usado outros mecanismos de ventilação, exceto quando for presente via aérea avançada.

4.0 Avaliação e certificação:

4.1 - Os participantes devem ser avaliados de forma teórica, respondendo prova de múltipla escolha, dissertativa ou mista, e de forma prática durante em exercícios simulando atendimento real.
4.2 – Os certificados devem conter:
No modelo “carteirinha”, o nome da instituição que ministrou o curso, telefone, endereço físico ou site, número de registro do certificado ou aluno, nome do curso e carga horária, data ou período de realização do curso e validade da certificação.
Nos certificados modelo A4, conter os mesmos dados do modelo “carteirinha” e mais descritivo e histórico do curso, nome e identificação dos instrutores que ministraram o treinamento e do diretor responsável, dados da empresa ou carimbo CNJP.
Os certificados devem mencionar que o curso esta em conformidade com esta Diretriz.
4.3 - Conforme padrões internacionais, este curso deve ser renovado anualmente, é altamente recomendado que após a capacitação, o responsável pela implantação e acesso ao DEA na empresa promova exercícios práticos para o pessoal capacitado, relembrando os pontos importantes, a periodicidade recomendada é a cada 3 meses para publico em geral e mensalmente para pessoal de Saúde e Emergência.

(final de edição)

Anexo disponível para download:
ICBP 1018 Diretrizes para Cursos de Suporte Básico à Vida e DEA

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Última atualização em Seg, 10 de Agosto de 2009 17:03